quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A HISTÓRIA DE RUTE

             Elimeleque, homem judeu, era um mercador bem sucedido. Casado com Noemi, tinha dois filhos varões, Malom e Quilion. Para fugir da fome que assolava Judá e da miséria vindoura, mudou-se com a família para Moabe.
            Rute era uma princesa moabita, estava insatisfeita com a idolatria de seu povo, pois conhecia e amava o Deus verdadeiro, razão por que abriu mão de tudo, inclusive do título e foi morar entre o povo ao qual admirava. Aproximando-se da família de Noemi, tornou-se amiga, até que o filho dela pediu a Rute em casamento, o que muito a alegrou. O segundo filho de Noemi também se casara com uma mulher moabita, Orfa.
          Passado um tempo, o esposo de Noemi morreu, bem como seus dois filhos, restando ela e suas duas noras. Sem hesitar, Noemi informou-lhes  que voltaria para sua terra, Belém de Judá, porque  soube que a fome em Israel havia terminado.  Disse  que não poderia forçá-las a ir consigo, pois, voltando para a casa de seus pais, poderiam encontrar outro marido e refazer suas vidas. Choraram em altos brados, pois não queriam a separação.
          Orfa, ainda que muito triste, acatou a sugestão e  apartou-se da sogra e seguiu seu caminho, voltando para seu povo e seus deuses. Rute, porém, chorou e implorou que a deixasse acompanhá-la, pois se apegara à sogra e o Deus de uma era o mesmo da outra, ou seja, o verdadeiro Deus.
           As duas chegaram à Terra Prometida em tempos de colheita da cevada. Por estarem exaustas da longa viagem e com fome, Rute deixou a sogra descansar e partiu para o campo mais próximo, procurando o que comer. Em Israel,  era costume dos ceifeiros  deixar algum cereal para que as pessoas pobres e viúvas pudessem apanhar. Rute  foi pegar cereal num campo que pertencia a Boaz, um parente de Elimeleque, pela direção de Deus, pois não o conhecia.
             Quando Boaz soube, através do feitor,  que aquela moça era nora de Noemi,  sendo ele parente de Eimeleque, recebeu-a com carinho e deixou que colhesse tudo de que precisasse, já que foi boa para com a sogra,  instando para que ela ficasse ali entre suas servas.
             Rute voltou para casa carregada de cereais, razão por que sua sogra bendisse o nome daquele que a havia ajudado e, ao saber o seu nome, alegrou-se ainda mais, por  ser seu parente próximo. Assim, Rute continuou na colheita do trigo e da cevada até que terminasse a sega.
             No último dia, Noemi sugeriu à Rute que, quando Boaz se deitasse para repousar,  ela descobrisse os pés do homem e deitasse ao seu lado e esperasse pelo que ele lhe dissesse. Ela assim procedeu e, quando ele deu pela presença da mulher, ela se fez reconhecer e pediu-lhe que a cobrisse com a capa. Rute informou a ele que deveria ser o seu resgatador e, na manhã seguinte, sem tocar nela, encheu a capa de cereais e despediu-a.
               O resgatador deveria ser um parente mais próximo, segundo o costume, que, comprando as terras que pertenciam à Noemi, deveria tomar a mão de Rute em casamento, mas o primeiro de direito não se interessou e transferiu a preferência a Boaz, que comprou a terra e recebeu a mulher para si. Dessa união, nasceu Obede, que foi pai de Jessé e avô do salmista e rei, Davi,  cuja dinastia seria perpetuada através do Rei-Messias, o Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
             Essa história era tão querida e tão importante para a formação do povo bíblico que ela foi guardada e transmitida, oralmente, por vários séculos, até se tornar um documento escrito e incluído no livro sagrado de Israel.
            Naquele tempo, o povo procurava cumprir as formalidades externas da lei, sem procurar relacioná-la à vida humana e suas carências básicas, a saber: o amor, a bondade, a compaixão... Foi nesse momento, que o povo crente fez uso da história de Rute, para mostrar às pessoas que o amor é mais importante que a letra da lei.
             Essa narração mostra também que Deus cuida de nós, dirige-nos em nossos caminhos, por isso, devemos entregar a nossa vida para Deus, sem dúvidas e sem reservas, pois Ele sabe o que é melhor para nós, no tempo oportuno.

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